Florian Schießl e o impacto da migração para software livre em Munique
O site tek.sapo.pt entrevistou Florian Schießl, Diretor de Informática do Munich Council, uma das pessoas que mais sabe sobre a estratégia de migração para o software livre, e o seu impacto na cidade alemã de Munique.
Schießl reforça a tese de que a adoção do OpenOffice.org/software livre não envolve apenas redução de custos, mas principalmente a garantia de não se tornar refém de padrões fechados de uma única empresa.
Uma lição de migração bem-sucedida.
Pontos principais da entrevista:
Origens e objetivos da migração para Software Livre:
"Desde o início o nosso objetivo estratégico foi o de nos libertar da dependência de um único fornecedor de software. Não podíamos nos manter tão dependentes de uma única empresa, que por decisões que eram externas à nossa organização obrigavam a mudanças relevantes de software e hardware. A decisão abarcava dois níveis: a mudança do sistema operativo dos computadores e dos servidores, assim como a migração das ferramentas de produtividade para OpenOffice.org."
Dificuldades enfrentadas:
"Ao longo do processo, houve muita pressão externa. Na Alemanha há grandes empresas de software e a Microsoft tem muito peso. Estas empresas gastam muito dinheiro em lobby e foi necessário trabalhar contra muitas ideias feitas sobre o software livre e a favor do software proprietário. Também a migração para OpenOffice.org foi muito exigente. Durante a fase de avaliação percebemos que existiam modelos, macros e formulários que estavam duplicados e triplicados em vários departamentos e que ao todo teríamos de mudar cerca de 13 mil objetos. Esta foi considerada também uma oportunidade de consolidar experiências entre todos os departamentos."
Estudo de custos entre 'manter Windows vs. Migrar para software livre':
"Sim, fizemos estudos. Mas não era uma questão só de custos, mas de nos tornar mais independentes. No fundo foi fácil de explicar aos políticos: podemos ter custos mais baixos agora mantendo o Windows, mas teremos custos mais elevados a médio-longo prazo. Se mudarmos para software livre, temos agora um investimento maior, mas a médio prazo os custos vão diminuir."
Planos para 2007:
Até Março tínhamos convertido 330 estações de trabalho para Linux e temos mais 200 em teste. Mais de 1.000 PCs já têm ferramentas OpenOffice.org trabalhando sobre Windows e 1.300 funcionários já receberam formação em software livre.Vamos agora continuar a desenvolver o sistema operativo básico que implementamos no ano passado. Ao todo queremos converter cerca de 2.000 estações de trabalho até final do ano e ainda ter mais computadores rodando OpenOffice.org, Firefox, Thunderbird e Gimp sobre Windows. Esta é uma das partes importantes do projeto.
A meta dos 80% de desktops Linux deve ser atingida apenas em 2010.
Leia a entrevista na íntegra, por Fátima Caçador, no site tek.sapo.pt
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