ABNT, OOXML, ODF
Por Olivier Hallot

Ontem estive pela 3ra vez na reunião da ABNT para a decisão sobre o padrão OOXML, na qualidade de diretor da BrOffice.org e representando a AL-MG e a FAMEG. Muitos blogs e sites de notícias já reportaram o andamento da reunião minuto a minuto, quase como uma partida de futebol...
Entretanto vou focar no que pra mim realmente interessa sobre esta reunião e por que a ABNT deve levar o voto certo, expresso pela maioria dos presentes. Vamos ao resumo:
Um grupo tecnico (GT) composto por técnicos da Microsoft, da ODF, do Serpro, da UNESP e de outros, analisou ao longo de 5 meses em reuniões quase semanais, as 6000 páginas da norma em tempo recorde e relevou mais de 250 questões sobre a norma. Após esclarecimentos técnicos, sobraram 63 itens dos quais 61 obtiveram consenso (técnico). 2 itens ficaram para serem analisados e debatidos pela reunião dos demais interessados se seriam relevantes/impeditivos para a norma. Os dois pontos são realmente tecnicamente críticos.
Os presentes concordaram em dois pontos fundamentais do processo: O primeiro é que o trabalho feito pelo GT é valido e isento, e foi elogiado por vastíssima maioria, senão por unanimidade. O segundo, é que a ABNT será a legítima portadora do voto do Brasil na ISO. Isso por que, no calor dos debates, aventaram-se rumores de descrédito e falta de idoneidade da instituição, rumores que são bem característicos da verve dos antagônicos nos processos democráticos.
Legitimada pela audiência, ponderou-se o processo de voto na ISO:
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Uma abstenção seria muito negativa para o Brasil, pois indicaria que não damos importância ao assunto, e isso também tornaria letra morta o extenso e criterioso trabalho do GT. Além disto é sentimento da ABNT, de que não deseja traduzir normas entendido ai que a ABNT teria um papel secundário de mero tradutor de normas alienígenas.
O voto sim, poderia carrear os comentários e dúvidas do GT, valorizando o trabalho do GT. Todavia, a fica a critério da ISO considerar ou não os comentários agregados ao voto sim, significando um risco que o trabalho do GT seja jogado no lixo.
O voto não, obrigaria a ISO a analisar e responder aos questionamentos do nosso GT, especialmente os 2 pontos técnicos que sobraram. Isto valoriza o trabalho do GT, impediria que a ABNT seja mera tradutora de normas alienígenas, e remeteria à ISO a obrigação de aperfeiçoar a norma com os questionamentos do Brasil.
Qual então seria o seu voto pessoal?
P.S.
Os dois pontos técnicos, em resumo (e com forte possibilidade de inexatidão):
1) A norma cita na introdução, o objetivo de garantir compatibilidade com o legado Word, Excel e Powerpoint, mas não indica no texto como o desenvolvedor pode implementar esta compatibilidade, já que não está explícito o mapeamento dos binários dos formatos doc, xls, etc...
2) A norma indica que é possível encapsular dados binários no formato OOXML, sem todavia especificar informações sobre o conteúdo. Um arquivo OOXML poderia ser então um envelope de dados binários, e o desenvolvedor não teria meios de identificar o conteúdo dos dados binários inseridos no arquivo.
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