Blog de salomon

Às Favas com os Padrões

A Linux Magazine de Março traz uma entrevista muito interessante com o Roberto Prado, gerente de estratégias de mercado da Microsoft Brasil. É uma entrevista como qualquer outra que eu esperaria vir da Microsoft: "Atendemos ao mercado", reconhecendo o Linux como um concorente e por aí afora.

Um detalhe perdido no meio da entrevista, no entanto me chamou a atenção.

Por Trás dos Panos

A Microsoft está fazendo um esforço tremendo para ver o MooXML ser adotado como um padrão pela ISO. À primeira vista, parece que a empresa quer um padrão por acreditar nas suas vantagens. Acho que a verdade é um pouco diferente, e como um bom mágico, a discussão da aprovação do MooXML como um padrão ISO desvia a nossa atenção para a verdadeira intenção da empresa.

Conveniência

O desenvolvimento de um filtro para o MooXML pela Novell é importante, pois permite aos usuários do BrOffice.org/OpenOffice.org/StarOffice acessar documentos armazenados no formato Office Open XML. No entanto, a questão de fundo continua sendo a utilização de padrões abertos nos documentos gerados pelos entes públicos. Neste quesito, o formato proposto pela Microsoft não é completamente implementável pois parte da sua especificação não é publicada.

Língua e Definições

A língua é muito mais que uma ferramenta. É um conjunto de armadilhas que nos aprisiona e dita, de forma arbitrária, inclusive o que podemos pensar. Nosso pensar trabalha com conceitos, signos e significados que são expressos em língua. Se não há palavra para um determinado conceito na língua, teremos uma grande dificuldade para compreendê-lo. Quem já tentou explicar “saudades” para um falante da língua inglesa sabe bem da dificuldade.

Lágrimas de Crocodilo

No último dia 14 de fevereiro, a Microsoft publicou uma carta aberta reclamando da forma como a empresa vem sendo tratada no seu esforço de promover a interoperabilidade tão solicitada por todos.

Afinal, se a adoção de padrões é uma coisa tão boa, porque tanta reação contra a proposta da Microsoft? E mais, porque a Microsoft tenta, a qualquer custo, ganhar a simpatia de todos?

A verdade encontra-se nos números.

Olhando para o lado errado

Como foi escrito aqui, o projeto da Clever Age, com "apoio" da Microsoft lançou o seu conversor ODF para o MS Office. Apesar de parecer boa notícia, este lançamento não atinge o objetivo real.
(nota. Este texto foi corrigido após o lançamento do plug-in da Sun)

Para quem gosta de números

Muitas vezes o sucesso de um projeto de Software Livre é medido em números. Na maioria das vezes estes números são desconhecidos da maioria dos voluntários que, apesar de saberem estar participando de algo grande, não sabem exatamente o tamanho do projeto.

Trocando Lâmpadas

As piadas são velhas mas ainda valem:

P - Quantos engenheiros da Microsoft são necessários para se trocar uma lâmpada?
R - Nenhum. Simplesmente se define Escuro™ como o novo padrão.

Uma "feature" é um "bug" que não pode ser resolvido

Infelizmente, a proposta aprovada pela ECMA para o Open XML faz com que essas piadas pareçam muito verdadeiras.

Olhando para o Futuro

Existe uma diferença conceitual profunda entre o ODF (ISO 26300) e o MS Open XML. Apesar de ambos serem formatos para documentos eletrônicos textuais, o ODF preocupa-se com o futuro enquanto o Open XML preocupa-se com um legado de arquivos MS-Office.

Castelo de Cartas

Muito tem sido falado sobre a recente parceria entre a Microsoft e a Novell. Apesar do acordo envolver principalmente a distribuição da Novell, há pontos no acordo que afetam o BrOffice.org, especificamente no que tange o ODF.

Conteúdo sindicalizado

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