Às Favas com os Padrões

A Linux Magazine de Março traz uma entrevista muito interessante com o Roberto Prado, gerente de estratégias de mercado da Microsoft Brasil. É uma entrevista como qualquer outra que eu esperaria vir da Microsoft: "Atendemos ao mercado", reconhecendo o Linux como um concorente e por aí afora.

Um detalhe perdido no meio da entrevista, no entanto me chamou a atenção.

Nas palavras do próprio Roberto Prado ao ser perguntado porque a Microsoft desenvolveu seu próprio padrão ao invés de adotar o ODF:


Quanto à compatibilidade com ODF, nós enfrentaríamos uma barreira quanto à velocidade com que nosso padrão, ou nossas extensões ao padrão ODF, seriam aceitas pela ODF Alliance. Por isso, optamos por compor nossa própria aliança para fundamentar o OpenXML, permitindo assim o lançamento de nosso produto no prazo planejado.

Parei a leitura aí. Em nenhuma outra informação vinda da Microsoft ficou tão clara a real intenção da empresa por trás do MooXML. Às favas com os padrões. O importante é ter o produto pronto dentro do cronograma. (Acho que não preciso comentar o uso incorreto da palavra "padrão" neste contexto).

Não há ato falho. Ficou claro que ao invés de participar de um esforço de padronização, a Microsoft, mais uma vez, colocou os seus interesses econômicos acima de tudo e lançou sua própria aliança para não correr o risco de perder o prazo de lançamento de um produto.

Às favas com os padrões.

Fica cada vez mais claro que o MooXML é apenas mais uma ferramenta para continuar a manter uma clientela cativa. O pior é o que acontecerá se a ISO chegar a aprovar o MooXML como um padrão: A Microsoft pode passar a pleitear que governos (tanto estaduais quanto nacionais) passem a exigir a sua implementação, forçando milhares de clientes a migrar para o novo MS-Office pois, não se esqueçam, é o único produto a poder implementar integralmente o MooXML.

A proposta de padronização do ECMA 376 (MooXML para os íntimos) sendo aprovado como padrão ISO representa um degrau a mais na estratégia de "abraçar, extender, extinguir" praticada até hoje pela Microsoft: a apropriação de órgãos públicos como meras ferramentas de imposição de aquisição de produtos.

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