Relato da Reunião da ABNT sobre ooxml

ABNT
No dia 09 de agosto foi realizada na sede da ABNT do Rio de Janeiro a 4ª Reunião do Comite 34, responsável por definir as posições do Brasil na ISO, refletindo o comitê JTC1/SC 34 que está analisando a proposta de tornar o OpenXML um padrão da ISO.

A definição do voto iria ocorrer em Brasília, conforme decidido na 3ª reunião. Porém por algum motivo que ainda não entendemos esta decisão não constou na ata da ABNT.

No ínicio da reunião solicitamos que fosse corrigida a ata. Para nossa surpresa parte dos participantes começaram a defender que não havia ocorrido aquela decisão. Foi um interessante fenômeno de amnésia coletiva de revendedores de uma determinada empresa. :)

Por fim prevaleceu o bom senso. Não era correto mudar a ata de uma decisão já tomada. Ficou combinado que a discussão seria reaberta e que a ata iria refletir realmente o que ocorreu na 3ª reunião.

Depois de aprovar a ata e já em clima pouco construtivo de alguns participantes, foi apresentado pela ABNT o processo de decisão que seria utilizado dentro do CE 34 do Brasil para definir o voto brasileiro. A Sra Marcia Cristina de Oliveira apresentou como funciona todo o processo desde a submissão de uma proposta na ISO até a definição do voto do país.

Ficou informado que a ABNT define uma norma para o país utilizando o mesmo critério da ISO, isto é, para um novo padrão seja aprovado, ele precisa ter dois terços dos votos de aprovação e não pode ter mais que um quarto de votos "não". Porém para definir o voto do Brasil para ISO o método utilizado é outro, o da unanimidade. Isto é, se tivermos 50 pessoas a favor de uma norma e apenas uma contra, o Brasil não emite opinião sobre um assunto.

Realmente é muito estranho este processo de decisão.

Para mim isto já define a posição brasileira, pois será impossível obter consenso no grupo. Infelizmente todo o esforço do grupo trabalho que foi montado para analisar a norma e que está formulando um relatório com os problemas técnicos encontrados será jogado fora, já que não existe abstenção com comentários. Este processo de decisão não faz nenhum sentido para mim. Parece apenas uma forma de se abster da responsabilidade quando existe algum tipo de disputa. Realmente é uma pena que um órgão que deveria defender o interesse do país se omita de qualquer decisão, quando todas as pessoas não concordem. O correto seria adotar o mesmo critério de decisão da ISO.

Depois o Grupo de Trabalho que está analisando o Openxml iniciou a apresentação sobre os avanços obtidos na análise da norma. Porém a postura do grupo de revendores continuava desrespeitosa. Eles que não haviam participado de nenhuma parte do trabalho, também evitavam qualquer assunto relacionado a discussão técnica, sempre tratando de maneira desrespeitosa os demais participantes. Achei curioso esta atitude, pois os que defendem o Software Livre têm sido acusados de ter um discurso cheio de ideologia. Porém, agora os defensores desta proposta de padrão têm um posicionamento claramente ideológico e ainda dificultam o trabalho de avaliação e discussão técnica dos que lá estavam tentando mostrar os problemas da proposta de padrão.

No final veio o momento que motivou a nossa retirada da reunião. Foi dito pela ABNT que a decisão da cidade aonde se daria a definição do voto seria dela. Mesmo assim solicitei à mesa que fosse colocado em votação uma solicitação para a ABNT que a reunião fosse mantida em Brasília. No primeiro momento a coordenadora da Comissão (Maria de Fátima Porcaro) não aceitou a proposição e fomos obrigados a ser mais enfáticos na solicitação. Eles decidiram então fazer um levantamento da cidade em que aconteceria a decisão entre Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, com o intuito de dividir as preferências e favorecer os apoiadores/revendedores da Microsoft que estão concentrados em São Paulo.

Desta forma, por ter nossa proposta ignorada pela mesa, que não demonstrou neste momento a imparcialidade necessária para conduzir este assunto, nós do SERPRO nos retiramos da votação.

Pelo visto o Brasil não irá neste momento emitir qualquer comentário sobre a norma. Ficou claro para mim a estratégia por parte dos defensores do Openxml de forçar todos os países que estudaram a norma a se absterem da votação (Além do Brasil, EUA, Espanha, Itália, etc...).

Todos as pessoas que são a favor da padronização viram de maneira positiva a proposta de padronizarmos o formato de armazenamento de documentos. Infelizmente estamos sendo sucessivamente impedidos de contribuir na construção deste formato. Em primeiro lugar a ISO aceita o Openxml como "Fasttrack" o que faz com que ele pule várias etapas de discussão. Agora todos os países que pretendem discutir a norma e fazer contribuições a ela são levados a se abster da votação. Nos cabe agora apenas solicitar que os defensores do Openxml, que pelo visto ainda estão tentando aprender a trabalhar com padrões, que aceitem as sugestões de alteração da norma que foram apresentadas e submetam nossas propostas para que a norma seja corrigida antes de avançar no processo de padronização.

Enviado por: Deivi Lopes Kuhn
Fonte: Software Livre Brasil

Back to top