OpenXML: vale a pena mesmo todo este esforço?

Nesta semana está ocorrendo o BRM em Genebra, na Suíça. Os debates com relação à aprovação ou não das propostas de alteração do OpenXML devem estar bem quentes. Mas, continuo com a forte convicção que não precisamos de um segundo padrão para fazer a mesma coisa. O que ganhamos com este segundo padrão? O que a sociedade brasileira ganhou com as voltagens 110 e 220? Quem ganhou com a briga dos padrões VHS e Betamax? E agora, mais recentemente, com a disputa Blu-ray versus HD DVD?

Alguns dos argumentos geralmente utilizados pelo proponente do padrão insistem em palavras chave como interoperabilidade, compatibilidade e acessibilidade.

Bem, na minha opinião, existem claras diferenças entre interoperabilidade (capacidade de diferentes softwares trocarem informações via um conjunto padrão de interfaces e formatos abertos) e intraoperabilidade, quando um fornecedor apenas cria condições de tornar mais fácil a conexão com seus próprios produtos. Em uma situação de intraoperabilidade, o fornecedor de um produto dominante cria protocolos e formatos que o favorecem, tanto que os mantém sob seu domínio, controlando sua evolução e decidindo quais funcionalidades serão mais ou menos abertas. Na interoperabilidade, os padrões são abertos e não controlados por nenhuma empresa, não privilegiando um produto específico em detrimento de outro. Para mim o OpenXML se encaixa no conceito de intraoperabilidade. Sua própria especificação, de estar alinhado com um produto específico já nos leva a esta conclusão.

Outro argumento é acessibilidade. Recomendo a leitura de um paper escrito por especialistas da Universidade de Toronto, no Canadá, que analisou a proposta do OpenXML e identificou “grave issues with respect to the accessibility of Office OpenXML as a format and potential standard that should preclude its adoption at present”. Por outro lado, a especificação v1.0 do ODF foi criteriosamente revista por especialistas usando o “Web Content Accessibility Guidelines v1.0” que identificaram que a proposta poderia ser melhorada ainda mais. Estas propostas foram incorporadas à versão do ODF v1.1 e é a mais detalhada revisão que um padrão de arquivos de documentos passou até hoje. O ODF torna-se, portanto, um benchmark em acessibilidade. Bem, existe também o argumento da assinatura digital. É um assunto que tem sido bastante explorado na mídia. O ODF é um padrão dinâmico e extensível (como deveria ser realmente...) e a sua versão v1.2, a ser apresentada em breve à ISO, incorpora esta funcionalidade sem afetar o padrão existente.

Ah, e temos a já batida questão da compatibilidade com documentos legados. Se vocês lerem este post , com certeza vão ficar na dúvida (muitas dúvidas , aliás...) com relação a esta tão propalada compatibilidade. É um texto bem extenso, mas que vale a pena ler.

E tem mais, se vocês acessarem o paper “DIS29500: Deprecated before use?” vão ver que as alterações propostas pelo Ecma mostram de forma inequívoca que tanto o ODF como o OpenXML ocupam o mesmo espaço...

Uma sugestão que seria muito mais produtivo para todos (imaginem quanto de energia e dinheiro tem sido gasto na avaliação do OpenXML pelos órgãos de padrões de dezenas de países) seria a sua harmonização com o ODF. Tem um post no blog do Rob Weir que detalha este assunto. Vejam “The case for Harmonization”.

A conclusão? No fundo no fundo, estamos debatendo um padrão supérfluo...

Back to top